Prof. Dr. Evanivaldo C. Silva Júnior
Coordenador da coluna FATECNOLOGIA
evanivaldo.jr@fatec.sp.gov.br

 

Profª. Me. Selma Marques da Silva Fávaro
Revisora
selma.favaro@fatec.sp.gov.br

 

Os chamados sistemas inteligentes amparados pelos algoritmos de inteligência artificial (AI) são tecnologias cada vez mais presentes em nossas vidas atuando de forma discreta, motivo pelo qual podem até passar despercebidas em muitos equipamentos e dispositivos tecnológicos rotineiramente utilizados por nós no dia a dia.

Um exemplo bem típico desse tipo de sistema é o programa mais popular de busca da internet, o Google, dotado de algotirmos de AI que interpretam não somente os termos literais escritos em sua janela de textos, mas também utilizam uma sofisticada semântica de busca, que relaciona termos próximos aos inseridos pelo usuário, conteúdo (para evitar repetição usei “conteúdo”) previamente procurado ou encontrado, contexto do que se busca, entre outros atributos inteligentes de rastreamento de informações.

A novidade que a comunidade científica destaca como potencialmente revolucionária é o desenvolvimento de algoritmos que ensinam outros algoritmos. Esse novo paradigma educacional tem sido utilizado na robótica em um projeto desenvolvido pelo Brown University (USA), que visa criar uma base de dados na nuvem (computação em nuvem) com algoritmos produzidos para robôs desenvolverem a habilidade de segurar objetos, como copos, canetas, patinhos de borracha, maçãs e uma gama gigantesca de outros elementos de diversos formatos, consistência, pesos, texturas e outras características.

O objetivo do projeto é que um robô busque essas informações na nuvem para aprender a segurar objetos mesmo não sendo especificamente treinados para aquele tipo de objeto. Por exemplo, um robô dotado de pinças em formato de U aprende a segurar uma xícara de chá e alimenta a nuvem com seu algoritmo. Outro robô que nunca segurou esse tipo de objeto acessa essas informações na nuvem e, mesmo não dotado do mesmo sistema de manejo, tendo, por exemplo, uma mão de três pinças, duas paralelas e uma contrária na forma de polegar, aprende a segurar a mesma xícara, adaptando-se, moldando o algoritmo projetado inicialmente para as suas características “anatômicas”. Esse aprendizado é real, ou seja, ele “se virou” para aprender essa tarefa!

Você poderia questionar: o que há de tão revolucionário em robôs aprenderem a segurar objetos como uma xícara de chá ou um patinho de borracha? Não parece um produto tão útil da ciência, correto?

A grande revolução por trás desse projeto é o aprendizado. Tal processo pode ser aplicado no aprendizado de robôs motoristas de veículos, como os carros de passeio. Tarefas domésticas, atividades de manufatura e manejo de matérias nocivas aos humanos como exposição à radiação e a altas temperaturas são algumas das inúmeras possibilidades de utilização dessa nova área do conhecimento que está para surgir. Um robô futuramente estará apto a aprender o que ele necessitar ou o que desejar, utilizando essa metodologia.

O que nos torna, humanos, fundamentalmente diferentes de outros animais é a capacidade de aprendizado e de desenvolvimento de novos conhecimentos, novas tecnologias, novas formas de resolver problemas. O que esse projeto propõe, guardadas as proporções, é algo bem semelhante. Seres que até então dependiam exclusivamente dos humanos para algum tipo de aprendizado se tornarão autônomos para aprender. Talvez até esteja surgindo uma nova safra de professores!

 

Prof. Dr. Evanivaldo C. Silva Júnior
Docente da FATEC Jales
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