Prof. Dr. Evanivaldo C. Silva Júnior
Coordenador da coluna FATECNOLOGIA
evanivaldo.jr@fatec.sp.gov.br

 

Profª. Me. Selma Marques da Silva Fávaro
Revisora
selma.favaro@fatec.sp.gov.br

 

Um dos assuntos mais comentados nesta semana no mundo da tecnologia foi o suposto sistema de censura que o Facebook pretende implantar em sua rede social, objetivando, entre outras coisas, uma maior penetração no mercado chinês, que exerce atualmente proibição da rede em seu território. As principais mídias mundiais abordaram essa temática devido a vários fatores, como o impacto que a medida pode gerar em todo o mundo, diante de um cenário completamente globalizado em que a internet se insere. Claro que o Facebook vislumbra um mercado de 1,3 bilhão de habitantes intimamente ligados à tecnologia, como a maioria das nações ocidentais, mas existem também outros motivos estratégicos por traz dessa medida.

Como segunda potência econômica mundial, com visível predominância imperialista no continente asiático e com toda a influência cultural de sua imensa população, a China, que também é detentora de tecnologia de ponta em vários segmentos, como a Tecnologia da Informação, pode representar um concorrente de peso à rede social criada por Mark Zuckerberg.

O país possui regras próprias de censura e restrição de informações nas mídias e, dessa forma, para que um sistema esteja em uso em seu território, deve satisfazer tais condições. O Facebook foi banido da China em 2009, assim como outros sistemas, a exemplo do Google, exatamente por não seguir tais “recomendações”. O Google até fez algumas tentativas de adaptação às restrições impostas pelo governo chinês, mas foi duramente bombardeado pelos internautas mundo afora, contrários à censura da rede. Ataques das comunidades hacker foram amplamente disparados contra esse gigante, respaldando a onda mundial anticensura na internet.

O Facebook congrega 1,6 bilhão de usuários em todo o mundo, número absoluto de usuários ativos. A rede social chinesa Weibo possui cerca de 600 milhões de usuários, o que representa uma quantidade razoavelmente grande se somada a outras redes chineses igualmente populares, ainda mais considerando o potencial de crescimento dessas mídias.

Além do “número de usuários”, um ponto igualmente importante é o “número de negócios” que esses mercados proporcionam. O potencial real para o setor empresarial na China é algo absolutamente significativo e nenhuma empresa do porte do Facebook (Google, WhatsApp, Twitter, YouTube, etc) quer ou pode desprezar.

Censura de informação e de negociação são como a água e o óleo, não se misturam ou, pelo menos, não deveriam se misturar. Primeiro porque, nos tempos atuais, informação é dinheiro e, segundo, que tal situação segue a contramão da globalização.

Nessa encruzilhada da história, ou o mundo se “desglobaliza”, como apontam alguns ventos soprados pelos movimentos de extrema-direita, abrindo caminho, entre outras coisas, à censura, ou a liberdade imposta pela internet quebra as barreiras não territoriais de alguns países ainda resistentes à evolução dos tempos.

 

Prof. Dr. Evanivaldo C. Silva Júnior
Docente da FATEC Jales
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