Prof. Dr. Evanivaldo C. Silva Júnior
Coordenador da coluna FATECNOLOGIA
evanivaldo.jr@fatec.sp.gov.br

 

Profª. Me. Selma Marques da Silva Fávaro
Revisora
selma.favaro@fatec.sp.gov.br

 

No ano de 2009 o emblemático ator de filmes de ação Bruce Willis (franquia Duro de Matar) estrelou o filme Surrogates (traduzido no Brasil como “Substitutos”). Dirigido por Jonathan Mostow (O Exterminador do Futuro 3 – A rebelião das máquinas) o longa nos mostra o futuro no ano de 2054 em que os seres humanos não interagem diretamente entre si, isto é, eles vivem em suas casas conectados a “robôs substitutos” que possuem exatamente sua aparência mais jovem e que, por meio de diversos sensores transmitem ao usuário tudo o que é captado no ambiente, assim, o usuário vê e sente o mundo por meio de um robô. Se acontecer algum acidente fatal, como por exemplo um atropelamento, o usuário estará são e salvo em sua casa, pois quem “morre” é o seu substituto que pode ser facilmente substituído (substituir o substituto é um tanto redundante, mas é isso!). Na trama o policial Tom Greer (interpretado por Bruce Willis) investiga um crime em que alguém usou uma arma capaz de destruir o robô substituto e também seu usuário. Além de cenas de ação e suspense, o filme levanta uma série de questões sobre os rumos da humanidade face ao ascendente impacto das tecnologias e da Internet, e nos faz pensar sobre o atual estado da arte da Internet das Coisas (tudo conectado – TV, carros, micro-ondas, geladeiras, ventiladores, etc...) e como esta poderá moldar a sociedade nos próximos anos.

No ritmo da Internet das Coisas e fazendo uma analogia com o filme Surrogates, a cientista da computação Emma Yann Zhang desenvolveu um protótipo de dispositivo que promete possibilitar o beijo a distância. Batizado de “Kissenger” – a união das palavras kiss (beijo) e messenger (mensageiro) – o gadget deve ser conectado na parte inferior do smartphone, assim, quando o usuário beija um tipo de lábio artificial feito de silicone, os diversos sensores de alta precisão captam os movimentos do lábio do usuário e os envia para o dispositivo do seu parceiro que reproduzirá exatamente os mesmos movimentos, permitindo assim um beijo a distância. No seu blog Emma diz que o dispositivo foi criado com o objetivo de possibilitar interações físicas íntimas por meio da Internet e também apresenta um aplicativo para iPhone que permitirá beijos em tempo real em conversas em grupo com familiares, amigos e namorados.  A cientista também afirma que o Kissenger poderá ser usado como ferramenta de marketing, pois será possível criar experiências de interação em que celebridades poderão distribuir beijos a todos os seus fãs ao redor do mundo.  Apesar de um enorme potencial de mercado, ainda não há data prevista para o início das vendas.

O “beijo digital” do Kissenger é apenas o início, pois na cultura popular um beijo apaixonado envolve não apenas lábios, mas língua, respiração, aroma e outros elementos, isto é, reproduzir todos essas sensações em um dispositivo físico será o grande desafio dos engenheiros para as próximas versões. Resta-nos saber ou imaginar o real impacto sociocultural de dispositivos desse tipo, pois o beijo é uma expressão universal de amor e carinho, e exatamente por isso é tão especial. Transformá-lo em uma banalidade, ou melhor dizendo, “coisificá-lo” pode mudar o seu real significado?  Chegará o dia em que não sairemos de nossas casas e interagiremos uns com os outros por meio de robôs substitutos assim como no filme Surrogates?

O futuro já está acontecendo e creio eu que nem mesmo o escritor gênio Isac Asimov, famoso por sua icônica obra “Eu, Robô”, imaginaria um início de século XXI tão promissor e, ao mesmo tempo, assustador no que diz respeito a tecnologia.

Prof. Esp. Jorge Luís Gregório
Docente da FATEC Jales
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