Prof. Dr. Evanivaldo C. Silva Júnior
Coordenador da coluna FATECNOLOGIA
evanivaldo.jr@fatec.sp.gov.br

 

Profª. Me. Selma Marques da Silva Fávaro
Revisora
selma.favaro@fatec.sp.gov.br

 

Em janeiro de 2007, Steve Jobs, o guru da Apple, apresentou um dispositivo inovador e, ao mesmo tempo, ambicioso: o iPhone. Em seu empolgado discurso, Jobs afirmou que a Apple reinventaria o telefone, pois o novo gadget integraria o já consolidado iPod (músicas), o telefone e a internet. Na época, já existiam os smartphones, isto é, celulares com aplicativos de internet, capacidade multimídia, acesso a e-mail, teclado físico e bluetooth, mas a proposta do iPhone era inovadora, principalmente por dois conceitos: usabilidade e conectividade. A tela sensível ao toque e o teclado virtual eram extremamente fáceis de usar, e o dispositivo permitia que as pessoas ficassem conectadas todo o tempo à internet por meio dos seus diversos aplicativos.

Após o sucesso da iPhone, todas as gigantes do setor, como LG, Sony, Samsung, Motorola e várias outras, criaram seus próprios iPhones. O Google, sempre inovador e antenado ao mercado, criou o Android, o sistema operacional para dispositivos móveis responsável pelo crescimento e popularização dos smartphones e tablets em todo o mundo. Antes do iPhone, as câmeras dos celulares eram limitadas; para ouvir músicas, tínhamos que baixá-las ou então fazer o “CD ripping” (extraí-las do CD por meio de softwares) e armazená-las em formato MP3 com baixa qualidade devido às limitações de armazenamento dos telefones e cartões de memória; os celulares mais populares possuíam conectividade limitada, isto é, apenas via bluetooth e dados móveis, nada de WiFi; as mensagens eram trocadas apenas via SMS e o aplicativo de mensagens instantâneas mais popular era o MSN Messenger da Microsoft que, infelizmente, só podia ser usado (oficialmente) nos computadores com sistema operacional Windows. Além disso, nossas fotos eram capturadas em câmeras digitais e, apesar de serem veiculadas nas redes sociais da época, principalmente o Orkut, geralmente eram postadas em mídias específicas, os chamados fotologs, difíceis de encontrar e compartilhar.

Atualmente temos o Spotify, um popular aplicativo de músicas que surpreende pela rica variedade e recursos; as câmeras dos smartphones são capazes de rivalizar e, em muitos casos, superar as câmeras compactas e semiprofissionais; a conectividade via WiFi é algo tão popular e indispensável que a maioria dos estabelecimentos comerciais, principalmente bares e restaurantes, disponibilizam acesso gratuito aos seus clientes; o SMS tornou-se desnecessário devido ao crescimento dos aplicativos de mensagens instantâneas como o WhatsApp, Telegram e outros. Ficamos conectados nas redes sociais praticamente 24h por dia consumindo, compartilhando e criando conteúdo (fotos, textos e notícias) a todo momento, o que gera uma torrente de informações não necessariamente verdadeiras e úteis, assim é necessário filtrar.

Negócios são realizados e novos modelos de negócios surgem apoiados nas capacidades dos dispositivos móveis; novos amores e novas aventuras são revelados nos aplicativos de relacionamento, e acreditamos que o mundo está na palma de nossas mãos, ao alcance de um toque. Mudamos nossos hábitos e nossa maneira de ver o mundo; falamos com os computadores; renunciamos a nossa privacidade e nos tornamos intelectuais desprovidos de conhecimento científico e literário, afinal de contas, o conteúdo dos aplicativos e a inteligência coletiva formam e informam (será!?). Enfim, uma mudança econômica e sociocultural que vai além do hardware e software.

O que podemos aguardar nos próximos dez anos? Novas mudanças, é claro! A “lei das consequências não pretendidas” é uma constante quando o assunto é Tecnologia da Informação e Comunicação, assim temos que estar preparados para toda e qualquer mudança, todo o tempo. “Vamos inventar o amanhã e parar de nos preocupar com o que aconteceu ontem” (Steve Jobs).

Prof. Esp. Jorge Luís Gregório
Docente da FATEC Jales
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