Prof. Dr. Evanivaldo C. Silva Júnior
Coordenador da coluna FATECNOLOGIA
evanivaldo.jr@fatec.sp.gov.br

 

Profª. Me. Selma Marques da Silva Fávaro
Revisora
selma.favaro@fatec.sp.gov.br

 

Vivemos dias de tensão no mundo financeiro e isso nos faz pensar sobre alguns aspectos, que, por sua relevância, deveriam ser tratados com muito mais firmeza por todos, desde as famílias até as organizações empresariais de pequeno, médio e grande porte.

Um desses aspectos é o consumo desenfreado, que leva boa parte das pessoas a contraírem dívidas a curto, médio e longo prazo, encantadas por propostas maravilhosas e com a chance de levarem para casa rapidamente aquilo que desejam ou o que as campanhas publicitárias as fazem desejar, esquecendo que as parcelas vencem, que os carnês precisam ser pagos, que os juros, em alguns casos, são elevadíssimos e que, às vezes, os compromissos assumidos acabam consumindo grande parte do orçamento familiar.

Assistimos no final de 2008 e início de 2009, à diminuição momentânea desse "consumismo", o que nos fez pensar que a grande maioria de nossa população brasileira estaria "entrando nos eixos", fazendo o dever de casa e, simplesmente, gastando menos do que se ganha. Devido a declarações de especialistas na área, matérias voltadas à economia doméstica e a variados segmentos empresariais, notamos o conceito de muitas pessoas e empresas mudar, deixando a ilusão de lado e colocando os "pés no chão" de vez.

No ano de 2010 e em anos posteriores, com sucessivos anúncios da redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), especialmente para veículos e eletrodomésticos da chamada linha branca, muitos retomaram o interesse pelas compras, pois os valores desses produtos, aos olhos de parte importante da população, passaram a ser mais atrativos com os descontos concedidos.

A ação do governo foi boa, mas cercada de pressão dos grandes empregadores, que, por força dessa pressão, conseguem seus objetivos e o Estado, que deveria conceder benefícios a todos os empresários, principalmente os micro e pequenos, que são os grandes empregadores do Brasil, limita-se a olhar para os grandes e para as multinacionais.

Essa redução nos impostos proporcionou aquecimento da economia, mas cabe ressaltar que, em muitos casos, as pessoas foram e são levadas à aquisição, pelas facilidades de financiamento, pelo "pequeno" valor das parcelas mensais ou outros detalhes, mas se esquecem de que estão assumindo compromissos para dois, três, quatro ou mais anos e que contas assumidas para esse período necessitam de planejamento minucioso.

O resultado que chegamos em 2015 é perigoso, pois parcela considerável das famílias brasileiras está endividada e o custo dos compromissos financeiros ultrapassa aquilo que seria tolerável para qualquer orçamento familiar, sufocado ainda pelas taxas de juros das mais altas do planeta, cobradas pelos bancos, operadoras de cartões de crédito e outras instituições.

Como resultado, as famílias reduziram as compras e as empresas, em todas as esferas de tamanho e segmentos sofrem com a queda brusca de suas vendas, forçando-as a enxugar seus custos, rever seus planos de investimentos e de permanência no mercado para médio e longo prazos.

Chegaremos numa época em que as pessoas vão investir na caderneta de poupança ou outras modalidades e economizarão, para assim, de posse dos valores correspondentes, adquirir produtos pagando à vista, obtendo bons descontos e ficando tranquilas, na posse legítima do bem.

Os cursos superiores de tecnologia de um modo geral além de proporcionar aprofundado nível de conhecimento em suas áreas respectivas, traz aos alunos à luz da realidade econômica do país, regional e local, proporcionando-lhes condições de tomada de decisão em momentos importantes, como no cenário atual da economia por que passamos.

Prof. Rivelino Rodrigues

Docente da FATEC Jales

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