Prof. Dr. Evanivaldo C. Silva Júnior
Coordenador da coluna FATECNOLOGIA
evanivaldo.jr@fatec.sp.gov.br

 

Profª. Me. Selma Marques da Silva Fávaro
Revisora
selma.favaro@fatec.sp.gov.br

 

Muitas têm sido as discussões sobre o uso do internetês, particularmente após o avanço da internet e com o advento das redes sociais. Mas o que vem a ser INTERNETÊS?

O termo é oriundo de internet e refere-se à linguagem codificada/abreviada que é utilizada nas redes sociais. Parece bem simples a definição e a função social da comunicação, mas por que há tantas especulações sobre ele?

Os linguistas entendem que as situações de comunicação devem adequar-se à necessidade comunicativa, ou seja, para que haja qualidade comunicativa, o locutor deve apropriar-se do lugar/posição de onde se fala, considerando ainda para quem se fala e como fala, tal qual afirma Foucault, filósofo francês; na verdade, há uma espécie de lei do discurso – não falamos o que queremos, quando queremos e como queremos, porque sabemos que haverá consequências desse ato.

Se buscarmos na memória, não tão remota, lembraremos do telegrama, criado no final do século IX, em que o usuário utilizava abreviações porque cada caractere datilografado agregava maior custo; tal recurso era aceito normalmente e havia garantia de comunicação.

Quem não se lembra também (mais especificamente para os “maiores de 30 anos”) de uma espécie de “taquigrafia escolar” em que abreviávamos algumas palavras no objetivo de encurtar as cópias dos longos textos registrados no quadro-negro, por meio do giz, pelo professor... dentre muitas, trazíamos “socie//e” para sociedade; “aconteci/o” para acontecimento...

Pois bem, se a língua nos oferece essa possibilidade de escolhas condizentes à situação comunicativa, o espaço das redes sociais é aberto para o internetês... Mas por que então a problematização?

Com a evolução das novas tecnologias, as situações de comunicação também vão se modificando: a língua está em processo junto com a humanidade. Nesse cenário, as pessoas, mais especificamente os jovens, não conseguiram delimitar e discernir qual seria o espaço para a escrita formal e em qual deles poderia ser empregado o internetês e, acabaram, portanto, optando por ele nas diversas situações comunicativas, sendo o fator “tempo” a bola da vez: ao invés de você, escrevem vc; de não, naum ou ñ (há variações linguísticas dentro do internetês também) e se alongaria a lista de exemplos...

Assim, discorrer sobre telegrama e redes sociais, quanto à perspectiva de abreviações (e dentre elas, nesse caso, incluímos o internetês), permite-nos diferenciá-los com base no contexto histórico em que estão inseridos, a saber: o telegrama utilizava as abreviações devido ao alto custo do meio comunicativo, ou seja, garantia-se a informação utilizando-se do menor número de caracteres registrados; por sua vez, nas redes sociais, o uso do internetês culmina o fator tempo - houve uma condensação de caracteres que tentam também cumprir o processo comunicativo (convenhamos que há abusos linguísticos, mas será assunto para outro momento).

Numa analogia bem simplista, mas procedente, seria a de compararmos o uso das vestimentas com o uso da língua. Cada espaço, já institucionalizado e cristalizado pela sociedade, possui padrões pré-determinados: a igreja, a escola, a praia, o baile do Havaí... e, quando se destoa desses “padrões”, algo parece não combinar, daí o internetês ser usado apenas nas redes sociais, não em e-mails e muito menos nos textos acadêmicos, com ênfase aqui, para as redações, que são o grande alvo dos estudantes (aki ñ).

 

Prof. Me. Alessandra Manoel Porto

Docente da FATEC Jales

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