Prof. Dr. Evanivaldo C. Silva Júnior
Coordenador da coluna FATECNOLOGIA
evanivaldo.jr@fatec.sp.gov.br

 

Profª. Me. Selma Marques da Silva Fávaro
Revisora
selma.favaro@fatec.sp.gov.br

 

Recentemente, o governo brasileiro anunciou que pode aumentar o imposto sobre a herança, o que nos leva a refletir sobre a importância da doação dos bens em vida ou ao menos, na preparação da sucessão. Esse tema é bastante polêmico, visto que muitos têm receio em deixar tudo encaminhado, caso venha a falecer.

No meio rural, em empresas familiares (assim como também no meio urbano), é comum a “briga” pela herança, justamente pela falta de preparação para a sucessão. A grande preocupação é a de que como os pais não vêm preparando seus filhos para sucedê-los, tanto no trabalho rural, quanto, e, principalmente, na gestão das unidades produtivas - o futuro das atividades agropecuárias torna-se incerto! Há quem diga (e são muitos) que os jovens, filhos de agricultores, por já terem raízes no meio rural, é que naturalmente deveriam dar continuidade aos trabalhos dos pais, mas não é bem isso o que acontece.

Na região de Jales, a maioria das propriedades rurais é composta pela agricultura familiar, o que demonstra a relevância da sucessão. Caso nenhum filho continue as atividades de seus pais, veremos cada vez mais na área rural, chácaras e sítios no entorno das cidades sendo transformados em unidades de lazer. Isso, porque os herdeiros não estão preparados para trabalhar na agricultura ou pecuária ou ainda, porque a propriedade tem de ser vendida para repartição dos bens entre os herdeiros; quem compra, não tendo relação com o campo, dificilmente desenvolverá uma atividade rural por não ter experiência ou aptidão.

Sabe-se que nem todos os filhos de agricultores têm dotação natural para as atividades rurais, nesse caso, forçar o indivíduo a permanecer no campo também não é o recomendado. Da mesma forma que em outras áreas, os filhos podem não seguir a carreira dos pais, na carreira rural, não é então pode ser diferente, mas pode haver motivação para a mudança desse cenário.

Particularmente, tenho desenvolvido pesquisas sobre sucessão rural há sete anos, tanto na agricultura familiar, quanto em assentamentos rurais. Observa-se que a baixa renda proveniente das atividades rurais é o principal fator de saída dos jovens do campo em busca de “melhores” oportunidades na cidade. Em alguns casos, os próprios pais incentivam seus filhos a saírem das propriedades, especialmente as mães que não querem que seus filhos “sofram”, passando pelas mesmas dificuldades enfrentadas por eles na propriedade rural.

Mas será que o problema reside justamente nesse fato? Em vez de preparar os filhos para a sucessão da atividade, preferem incentivar a saída do meio rural? Poucos, porém alguns jovens saem para estudar em cursos voltados para o campo e quando retornam o pai, que geralmente é o gestor da propriedade rural, não permite que o filho aplique o que aprendeu. Isso é fruto de uma visão tradicional, em que o produtor faz o que o pai e avô fizeram e não aceita mudanças. Às vezes, até permite algumas modificações, porém no primeiro erro do filho afirma “não disse que ia dar errado”, é como se lançasse profecias...

Há muito que estudar em relação à sucessão, tema muito importante no cenário atual, onde o êxodo rural ainda ocorre. Famílias e, principalmente, os jovens, continuam se mudando para os grandes centros, deixando um “vazio” no campo; apenas idosos que acabam produzindo para sua própria subsistência sem mais o mesmo vigor de antes para trabalhar com a terra.

Preparar a sucessão torna-se crucial para a continuidade dos trabalhos no campo e ela deve ocorrer como processo, por meio da capacitação dos produtores, com vistas a aumentar a produção e consequentemente, a renda dos pequenos estabelecimentos rurais, para incentivar os filhos a não saírem do campo.

 

 

Profª Me. Dejanira Facioni

Docente da FATEC Jales

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