Prof. Dr. Evanivaldo C. Silva Júnior
Coordenador da coluna FATECNOLOGIA
evanivaldo.jr@fatec.sp.gov.br

 

Profª. Me. Selma Marques da Silva Fávaro
Revisora
selma.favaro@fatec.sp.gov.br

 

"Brasil é o grande alvo dos EUA". Essa foi a frase de Glenn Greenwald, colunista do jornal britânico "The Guardian", em entrevista aos jornais brasileiros.  Em meados de 2013, Edward Snowden, ex-funcionário da NSA (Agência de Segurança Nacional dos EUA), revelou a Glenn documentos que evidenciavam a suposta espionagem no governo brasileiro. Ainda, segundo o jornalista, a NSA já espionou outros países e especificamente nesse caso, o objetivo era “entender melhor” a comunicação da presidente com sua equipe.

Independentemente do nível de sucesso obtido com a tal espionagem e o abalo diplomático ocorrido na época, o fato é que, após algum tempo tudo se acalmou, Obama se comprometeu a não deixar o fato se repetir e a vida continua. Aliás, a palavra “continua”, remete a uma indagação que o caro leitor já deve ter realizado: Será que o Brasil continua sendo espionado pelos EUA?

Vamos entender melhor como isto funciona. Segundo Snowden, um programa de computador dá à NSA acesso a e-mails, programas de bate-papo online e chamadas de voz dos usuários dos serviços da Apple, Facebook, Google e Microsoft, entre outras gigantes tecnológicas, e tem parceria com uma grande telefônica dos Estados Unidos que mantêm relações de negócios com serviços telefônicos no Brasil e em outros países. Encontrar alguém que usa tecnologia e não possua caixa postal eletrônica no Gmail ou Hotmail, perfil no Facebook ou algum aparelho da Apple é extremamente raro hoje em dia.

O quê? Agora ficou mais complicado ainda! Então todos que utilizam esses serviços podem ser monitorados? A resposta é sim. A grande massa de dados coletada dos usuários é processada pelos aplicativos dessas empresas, é armazenada em computadores próprios e se alguma informação de alguém for extraída intencionalmente, esse, nem sequer saberá. Ainda falta um detalhe, todas essas grandes empresas citadas são norte-americanas e com certeza possuem estreito relacionamento com o governo conterrâneo.

É relevante ressaltar que o baixo custo dos smartphones, laptops e outros dispositivos eletrônicos, aliado ao fácil acesso à internet, têm feito com que cada vez mais as pessoas insiram informações pessoais, financeiras e realizem diversas atividades nos serviços oferecidos na internet. Tudo isso contribui para o aumento da grande massa de dados a ser processada e utilizada pelos criadores desses aplicativos e serviços.

A justificativa para a espionagem entre os países é antiga e ainda prevalece: “Informação é poder”. Da mesma forma que um bom vendedor estuda minunciosamente o perfil de seus clientes para sempre obter êxito nas vendas, um bom lutador de boxe também estuda seus oponentes a fim de derrotá-los em lutas futuras. As mesmas regras prevalecem no campo da “captura da informação alheia”.

 E o governo brasileiro? Diante de tudo isso, o que se pode fazer? A resposta não é tão simples. O fato ocorrido com a espionagem apenas evidenciou o que educadores, pensadores e cientistas brasileiros já cansaram de expressar, que  “a educação de um povo é o primeiro passo a real independência de um país”. Concomitantes a outras ações e políticas públicas, é importante estimular o jovem brasileiro a passar de mero usuário de aplicativo criado no exterior e mero consumidor de um smartphone importado, a desenvolvedor de novas tecnologias e ideias. Se o governo brasileiro, incluindo a presidente, utilizasse  servidores de dados, aplicativos e infraestruturas de redes de comunicação puramente nacionais, talvez seria possível responder à pergunta que ficou sem resposta: Será que o Brasil continua sendo espionado pelos EUA?

Prof. Me. Rogério Leão Santos de Oliveira
Docente da FATEC Jales
Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.