Prof. Dr. Evanivaldo C. Silva Júnior
Coordenador da coluna FATECNOLOGIA
evanivaldo.jr@fatec.sp.gov.br

 

Profª. Me. Selma Marques da Silva Fávaro
Revisora
selma.favaro@fatec.sp.gov.br

 

Um assunto que tem provocado controvérsias neste início de ano é o conflito entre a agência de inteligência norte-americana FBI (Federal Bureau of Investigation) e a empresa Apple, gigante da área tecnológica, responsável por produtos como os iPhones, tablets e computadores, além dos softwares utilizados neles.

O problema surgiu quando foi apreendido o aparelho de telefone celular, um iPhone modelo 5C da Apple, do terrorista Syed Farook, responsável, com sua esposa Tashfeen Malik, pelo atentado em São Bernardino, nos Estados Unidos da América, em 02 de dezembro de 2015, que vitimou 14 pessoas, além de ferir mais de 20 civis.

Esse tipo de aparelho possui um sistema de criptografia, isto é, uma codificação que o torna quase inviolável, uma vez que, ao se errar por dez vezes seguidas a senha do telefone, o sistema operacional danifica propositalmente os arquivos de áudio, vídeo, filmes, fotos e tudo mais contido nele, uma espécie de autodestruição. Essa medida obviamente visa à proteção dos dados pessoais contidos nele, em caso de perda ou extravio. Apesar de radical, essa medida não impossibilita que o dono do aparelho conserve seus dados em outros ambientes virtuais, como na nuvem mantida pela própria Apple, chamada de iCloud.

Com esse sistema de segurança, o FBI não consegue descobrir a senha do aparelho em menos de 30 anos, o que torna a investigação inócua ou mesmo ineficiente do ponto de vista prático. Assim, a agência de inteligência solicitou à Apple a modificação do sistema operacional dele,  para que a senha fosse quebrada por algoritmos de força bruta, aqueles que tentam todas as possibilidades de combinações, nesse caso 10.000 tentativas.

Obviamente a Apple tem tecnologia para executar essa tarefa, entretanto, tal atitude, para a empresa, abre um precedente complexo entre as instituições governamentais e as empresas privadas da área de tecnologia: a violação da privacidade dos cidadãos em relação ao uso de telefones celulares. Como consequência, essa prerrogativa poderia ser expandida para contas de e-mail, redes sociais, entre outros ambientes virtuais, hipoteticamente, ainda, sigilosos.

Por outro lado, a falta de colaboração da Apple com o FBI gera um entrave nas investigações que pode, entre outras mazelas, perpetuar e, por que não dizer, fomentar novos planos de ataques terroristas não somente nos Estados Unidos, mas também em todo o mundo, o que pode acarretar consequências globais desastrosas.

Essa demanda dividiu as opiniões públicas e institucionais, colocando, de um lado, como apoiadores da Apple, empresas como o FaceBook, o Google e o Twitter, e, de outro, o próprio governo norte-americano e outros órgãos governamentais, além de um discreto apoio da gigante Microsoft.

Várias manifestações públicas em prol da manutenção do direito ao sigilo das informações nos aparelhos celulares da Apple têm sido realizadas nos Estados Unidos. Para a Apple e seus apoiadores, a garantia que o seu cliente tem de preservação das informações representa um contrato de confiança entre as partes, de modo que a briga entre esses cachorros grandes ainda deverá gerar muita discussão antes de um consenso final.

 

Prof. Dr. Evanivaldo C. Silva Júnior
Docente da FATEC Jales
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