Prof. Dr. Evanivaldo C. Silva Júnior
Coordenador da coluna FATECNOLOGIA
evanivaldo.jr@fatec.sp.gov.br

 

Profª. Me. Selma Marques da Silva Fávaro
Revisora
selma.favaro@fatec.sp.gov.br

 

De vez em quando ouvimos na mídia a expressão “Guerra das tecnologias”, referindo-se, na maioria das vezes, à disputa entre diferentes tecnologias utilizadas para o mesmo fim. As batalhas tecnológicas podem ocorrer  em relação a uma tecnologia específica, como telefonia 3G ou 4G, entre diferentes artefatos tecnológicos, como um iFone ou um Galaxy S6, ou, ainda, entre corporações como uma Telefônica, Oi ou TIM.. Entretanto, o que muitos não sabem é que uma vasta quantidade de contribuições tecnológicas surgiu exatamente em situações reais de guerra militar e de outros fatores correlatos.

Nesse sentido, vários exemplos poderiam ser citados, como a energia nuclear, as aeronaves (não a invenção em si, mas, principalmente, o aprimoramento), os foguetes (mísseis balísticos de curto e longo alcance) e, consequentemente, os satélites, os submarinos, os armamentos (e explosivos), as telecomunicações, outros veículos especiais, como os drones e veículos anfíbios, além de outros artefatos não relacionados diretamente aos conflitos militares. Cabe mencionar que o laser e as micro-ondas, utilizados em quase todos os dispositivos eletrônicos contemporâneos, como fornos, presentes, por exemplo, nas comunicações, na medicina, na indústria de entretenimento e na impressão, foram inventados para serem utilizados como armas de guerra, como canhões.

Outros produtos desenvolvidos nos séculos XX e XXI, também advindos de situações de guerras, são os diferentes tipos de tecidos resistentes a um meio ambiente hostil, como o poliéster, os diferentes produtos e subprodutos da indústria química, principalmente explosivos, também utilizados na indústria de mineração e petroquímica, como os abrasivos, graxas, combustíveis, plásticos, entre outros.

A engenharia de alimentos também atuou nesse cenário, com a produção de alimentos desidratados, enlatados e industrializados que durassem mais, de fácil elaboração e suficientemente nutritivos para alimentar de forma prática e rápida os soldados. Tais produtos servem hoje as pessoas comuns.

O computador e a internet também surgiram em momentos conflituosos. Ele foi inventado originalmente para a realização de cálculos (“cômputo” significa “cálculo”), como os balísticos, para a análise físico-química de reações em cadeia, codificação e decodificação de mensagens (criptografia), entre outros. Ela, a internet, teve sua origem em sistemas de segurança militar no Departamento de Defesa Norte Americano, na chamada ARPANet (Advanced Research Projects Agency Network).

Apesar de ter mencionado contribuições tecnológicas advindas de guerras do século passado, convém ressaltar que elas remontam a antiguidade. Arquimedes foi reconhecidamente um cientista que se empenhou bastante no desenvolvimento de artefatos de guerra, sendo muitos de seus inventos e princípios, idealizados no século III a.C., utilizados até hoje.

Tais considerações levam-nos a um contraponto. Por um lado, nem tudo o que é desenvolvido na guerra traz benefícios ao homem, pois, na maioria dos casos, objetiva-se a sua destruição. Por outro, intrigantemente, gera-se algum proveito. Um exemplo clássico desse paradoxo é a energia nuclear, que pode gerar tanto uma arma de destruição em massa, como uma bomba atômica, quanto ser usada em uma usina geradora de energia elétrica, como as usinas nucleares.

O ideal, é claro, é que não houvesse a necessidade de guerras como combustível para o avanço tecnológico, porém, é em momentos de dificuldades que o homem se supera inventando e reinventando tecnologias para a resolução dos mais variados problemas, sejam elas para o bem ou, infelizmente, para o mau.

 

Prof. Dr. Evanivaldo C. Silva Júnior
Docente da FATEC Jales
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