Prof. Dr. Evanivaldo C. Silva Júnior
Coordenador da coluna FATECNOLOGIA
evanivaldo.jr@fatec.sp.gov.br

 

Profª. Me. Selma Marques da Silva Fávaro
Revisora
selma.favaro@fatec.sp.gov.br

 

Há quase um ano nesta coluna, foi publicado um artigo sobre os principais problemas e desafios relativos ao gerenciamento sustentável de água no mundo para 2050 (“Terra, planeta água”, Silva Júnior, maio de 2015), baseados em um relatório publicado pela Food and Agriculture Organization of the United Nations –FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura).

Entre os vários problemas potenciais que o artigo apontou, foi citada a falta de água potável para o consumo humano, para a pecuária e para a agricultura, o que obviamente gerará uma considerável redução da qualidade de vida de todos.

Na semana retrasada, foi publicada uma notícia nas principais mídias mundiais sobre a péssima situação de abastecimento hídrico da China, país mais populoso do mundo e um dos principais poluidores do planeta. Segundo pareceres mundiais embasados pela comunidade científica, 80% do subsolo e dos rios da China estão em condições ruins ou péssimas de qualidade, o que os tornam impróprios para o consumo humano.  Eles apontam como os principais responsáveis pela contaminação o setor industrial, no que se refere às águas superficiais (rios, lagos etc.), e o relativo à agricultura, agente direto de contaminação dos lençóis subterrâneos, incluindo os profundos.

Essa informação, além de ter causado revolta em vários setores sociais do país, principalmente o jornalístico, também tem sido motivo de preocupação ao governo chinês e a outras nações do mundo, pois certamente afeta ou deve afetá-los em médio prazo.

Essa preocupação está atrelada não somente ao consumo de água potável, mas também à produção de alimentos, já que a maior parte dos recursos hídricos utilizados para a irrigação na agricultura é oriunda de lençóis subterrâneos profundos, já contaminados por subprodutos advindos do uso indiscriminado de fertilizantes entre outros compostos, como os metais pesados. Identifica-se, assim, um mecanismo de produção não sustentável, pois, para uma maior produção, é necessário maior uso de fertilizantes, o que deve causar maior poluição dos mananciais hídricos e, como consequência, um colapso de todo o sistema em médio prazo.

Esse cenário caótico nada mais é do que uma antecipação dos fatos esperados e das projeções delineadas no relatório citado no artigo de 2015 e, em se tratando da China, país com dimensões continentais e população igualmente grandes, o que podemos esperar não é nada promissor. Esse microplaneta chamado China, com sua marcha desesperada rumo ao crescimento econômico, retrata bem o que o mundo espera para 2050.

Algumas perguntas podem e devem ser feitas neste momento. As organizações mundiais têm poder efetivo para alterar esse curso da  história? Há saídas tecnológicas para minimizar tal catástrofe em curto prazo, considerando-se os custos envolvidos nesse processo? Ou, ainda, nós, país com as maiores reservas globais desse precioso recurso, saberemos utilizá-lo com sabedoria e benevolência em relação às demais nações, mesmo que com uma visão relativamente mercantilista?

O fato é que os números geralmente não mentem e a água nossa de cada dia está cada vez mais sujeita às súplicas e lástimas da humanidade. Tenhamos fé.

 

Prof. Dr. Evanivaldo C. Silva Júnior
Docente da FATEC Jales
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