Prof. Dr. Evanivaldo C. Silva Júnior
Coordenador da coluna FATECNOLOGIA
evanivaldo.jr@fatec.sp.gov.br

 

Profª. Me. Selma Marques da Silva Fávaro
Revisora
selma.favaro@fatec.sp.gov.br

 

Na semana passada, o artigo “A água nossa de cada dia” delineou um cenário nada promissor, para não dizer trágico, de um futuro de médio prazo, projetado principalmente pela crise hídrica, já presente em países como a China.

Não é nada agradável anunciar algo dessa natureza, ainda mais quando se trata de um recurso natural essencial à vida de todos os seres vivos, sem exceção. No entanto, existem algumas luzes (ou pequenas lâmpadas) no fim do túnel.

Muitos benefícios presentes em nossa vida, que nos trazem conforto e segurança, vieram do espaço. Isso mesmo, do espaço. A chamada corrida espacial, disputa entre as duas superpotências mundiais após a segunda grande guerra mundial pela conquista do espaço (de um lado, os Estados Unidos da América, bloco capitalista, e, do outro, a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, bloco comunista) tinha como pano de fundo o desenvolvimento de diversas tecnologias envolvidas no processo complexo de enviar com segurança uma tripulação à lua e, claro, trazê-la de volta a terra.

O projeto Apollo, desenvolvido pelos Estados Unidos, foi certamente o ápice da evolução tecnológica do homem em sua relativamente curta existência no planeta, evidenciando, de forma inequívoca, o domínio da raça humana no mundo. O programa espacial soviético, por sua vez, mostrou a genialidade dessa nação, um desempenho comprovadamente eficiente até os dias atuais.

Entre as diversas contribuições advindas dessa época, certamente as mais importantes são as relacionadas ao segmento de alimentação, com a invenção de refeições altamente nutritivas, armazenadas em recipientes flexíveis e de fácil preparo (pão de forma, cápsulas de proteína, barras de cereais, etc.), ao setor de telecomunicações, como os satélites, e aos sistemas de propulsão e navegação dos foguetes.

Apesar de essa corrida ter cessado, a exploração espacial continua e vislumbra planos igualmente grandiosos como a missão ao planeta Marte. O principal desafio nessa empreitada, certamente, é a sobrevivência da tripulação por um longo tempo no ambiente espacial, aproximadamente dois anos. Nessas condições, uma tarefa gigantesca é obter água e comida em um ambiente limitado e condições “climáticas” obviamente inadequadas, além, é claro, da pequena área disponível em uma nave espacial.

Atualmente, existem várias linhas de pesquisa tentando solucionar essas intempéries. No quesito água, a principal é a do reuso. A urina e o suor são processados, filtrados quimicamente e reutilizados como água potável em um ciclo de longa duração. Quanto aos alimentos, busca-se a produção otimizada de hortaliças com ciclos produtivos mais curtos e adensados e com alto teor nutritivo. Outra linha de pesquisa também propõe o reuso por meio do processamento das próprias fezes dos astronautas para a elaboração de novos alimentos. Essa última ideia, apesar de bizarra, é realmente viável!

Se tais propostas realmente serão implementadas, só o tempo poderá nos dizer.  No entanto, é sabido que situações limítrofes exigem atitudes igualmente radicais.

 

Prof. Dr. Evanivaldo C. Silva Júnior
Docente da FATEC Jales
Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.