Prof. Dr. Evanivaldo C. Silva Júnior
Coordenador da coluna FATECNOLOGIA
evanivaldo.jr@fatec.sp.gov.br

 

Profª. Me. Selma Marques da Silva Fávaro
Revisora
selma.favaro@fatec.sp.gov.br

 

No artigo “A guerra dos mundos II”, publicado no dia 17 do mês passado, foi esboçado um futuro potencialmente destruidor da raça humana por robôs humanoides dotados de inteligência artificial, cenário no mínimo preocupante para nós humanos. Entretanto, nem tudo é desastre, nem tudo é tão apocalíptico como o artigo parece sugerir.

Há poucos dias, uma notícia sobre um experimento real surpreendeu o mundo da tecnologia. Trata-se do relato de um grande projeto científico desenvolvido pelo Centro Médico Infantil em Washington (Children's National Medical Center), no qual um robô, dotado de um sistema de inteligência artificial, realizou uma série de cirurgias experimentais em suínos com uma grande façanha: elas foram feitas de forma totalmente autônoma, isto é, sem a necessidade da intervenção humana, apesar, é claro, do acompanhamento de uma equipe médica durante a operação.

O robô realizou o procedimento em tecidos orgânicos chamados de “moles”, o que aumentou as dificuldades no processo, uma vez que eles se movimentam durante a cirurgia, exigindo do cirurgião uma perícia complexa no uso e nos posicionamentos dos instrumentos utilizados, afirma Peter Kim, cirurgião chefe do projeto chamado STAR, sigla de Smart-Tissue Autonomous Robot.

Outro avanço tecnológico atribuído ao projeto é que o sistema foi testado comparativamente com cirurgias da mesma natureza realizadas por profissionais humanos, sendo a performance do robô igual ou até superior na maioria das situações. Tal fato representa uma esperança bastante factível de que, em um futuro breve, tais sistemas estejam disponíveis para auxílio médico com um grau de confiabilidade compatível com o de um profissional humano.

Esse é um ponto fundamental em todo esse processo, isto é, o papel real que um robô desse tipo venha a desempenhar no futuro não será exatamente de um cirurgião chefe de equipe, mas sim um sistema auxiliar que possa desempenhar parte dos procedimentos, que necessite de precisão e alto grau de exatidão, características típicas de sistemas robóticos.

Alguns pontos ainda são contestáveis em todo esse caminho entre o desenvolvimento e o uso dessas máquinas. Certamente, o principal é o senso de improviso mediante situações imprevisíveis que podem ocorrer em uma cirurgia. O ser humano tem um poder de ação mediante o inesperado, obviamente diferente de um robô, mesmo que dotado de inteligência artificial, pois, para esse, o aprendizado é algo sequencial, algorítmico. O ser humano, por sua vez, desenvolveu-se e evoluiu movido a este tipo de combustível, a adaptação ao novo.

O final dessa história ainda está longe de ser escrito. No passado, os robôs foram idealizados para executar tarefas repetitivas, que exigiam um alto grau de perfeccionismo, como as das indústrias eletrônicas e automobilísticas, mas sem a necessidade de um intelecto criativo. A evolução tem adicionado inteligência a essas criaturas, abrindo um leque de possibilidades que vão muito além do trabalho de manufatura. Novos profissionais robóticos têm surgido e muitos outros ainda virão. Não estranhe se daqui a algum tempo a secretaria do médico anunciar: “Bem-vindo ao consultório do Dr. R2-D2 ou C-3PO!”.

Prof. Dr. Evanivaldo C. Silva Júnior

Docente da FATEC Jales

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