Prof. Dr. Evanivaldo C. Silva Júnior
Coordenador da coluna FATECNOLOGIA
evanivaldo.jr@fatec.sp.gov.br

 

Profª. Me. Selma Marques da Silva Fávaro
Revisora
selma.favaro@fatec.sp.gov.br

 

Os anos 2000 podem ser considerados a era de ouro da convergência digital. A tão almejada integração entre todos os meios de comunicação em um único dispositivo, tão sonhada no início da década de 1990 por nomes de peso como Bill Gates, Steve Jobs e James Clark, é uma realidade. Rádio, televisão, câmera fotográfica, videogame, GPS, internet, web, telefone e outros recursos, todos embutidos em apenas um dispositivo: o smartphone (ou tablet). A onda dos dispositivos móveis criou dezenas de possibilidades, abriu diversos mercados e, consequentemente, está decretando o fim de diversos dispositivos tecnológicos símbolos de uma geração.

Houve um tempo, e não faz tanto tempo assim, em que para cada necessidade tecnológica era necessário um dispositivo específico. As câmeras digitais compactas (destinadas ao usuário leigo) foram, durante muitos anos, o sonho de consumo de muitos brasileiros, pois a possibilidade de tirar fotos sem a utilização de filmes, de visualizá-las na hora e decidir se as mantém deixou os amantes da fotografia extasiados. Foram as câmeras digitais que possibilitaram o surgimento de serviços como o Flickr, Google Fotos, Vimeo, Youtube e outros sites de compartilhamento de imagens e vídeos, negócios valiosos na era da web. O usuário final estava, finalmente, criando e publicando conteúdo na web. Entretanto, com a popularização dos smartphones, equipados a cada lançamento com câmeras de melhor qualidade, as câmeras digitais compactas, mesmo aquelas com recursos de conectividade com a internet, estão caindo em desuso. Já em 2011, nos EUA, foi registrada uma considerável queda nas vendas face à explosão dos smartphones daquele ano no país. Atualmente essa queda é perceptível no mundo todo, inclusive no Brasil.

Outro dispositivo que também caminha para a extinção nos próximos anos é o feature phone, termo técnico para o tradicional telefone celular, responsável, durante toda a década passada, por grandes transformações econômicas e culturais em todo o mundo. Em maio de 2013, no Brasil, foi registrado, pela primeira vez, um maior número de vendas de smartphones do que de celulares comuns. Hoje há poucos modelos ativos e os fabricantes já não lançam mais versões desses dispositivos, ou seja, nos próximos anos, tudo indica que deixarão de ser fabricados definitivamente.

Os aparelhos de GPS automotivos também seguem nessa direção. Não, não deixaremos de usar a tecnologia GPS, tão útil nas viagens, mas, atualmente, quase todos os modelos de smartphones possuem uma versão aprimorada do GPS conhecida como A-GPS, isto é, o GPS assistido por dados móveis que deixam a navegação mais eficiente. Também existem diversos aplicativos móveis que usam o GPS e a internet para prover uma melhor experiência de navegação, possibilitando acesso a informações de tráfego em tempo real e a diversos outros recursos que só a internet pode prover. Aplicativos como o Here Maps e Google Maps possibilitam ainda a navegação off-line, isto é, sem a necessidade de conexão com a internet. Há, ainda, as centrais multimídias que integram áudio, vídeo, web e GPS em um único dispositivo automotivo, tornando ainda mais dispensável o tradicional GPS automotivo.

O “cemitério tecnológico” não vai parar de crescer: aparelhos de DVD e Blu-ray, calculadoras de bolso, controles remotos, telefones fixos e outros deverão ser substituídos (ou integrados) por dispositivos mais eficientes, mais compactos e mais baratos. Entenda: as tecnologias não têm como foco um ou outro dispositivo, mas sim o serviço ou recurso que elas oferecem. Não deixamos de ouvir música após o fim dos discos de vinil e das fitas cassetes. Sobreviveremos!

Prof. Esp. Jorge Luís Gregório

Docente da FATEC Jales

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