Prof. Dr. Evanivaldo C. Silva Júnior
Coordenador da coluna FATECNOLOGIA
evanivaldo.jr@fatec.sp.gov.br

 

Profª. Me. Selma Marques da Silva Fávaro
Revisora
selma.favaro@fatec.sp.gov.br

 

No último texto que escrevi para a coluna Fatecnologia, intitulado “Tchau queridos! Dispositivos que deixaremos de usar nos próximos anos”, mencionei diversos dispositivos que estão caindo em desuso diante da realidade da convergência digital, isto é, da integração de diversos meios de comunicação em um único dispositivo: o smartphone ou tablet. Após esse artigo, surgiu a ideia de tratar a respeito de algumas tecnologias que também se mostram à beira da extinção. Vale ressaltar que um dispositivo eletrônico tem como principal objetivo ser o elo entre o usuário e uma ou várias tecnologias (ou recursos), assim, o fim de um dispositivo não implica diretamente o fim da tecnologia à qual ele está (ou estava) diretamente relacionado.

Uma tecnologia que caminha para o esquecimento é a linha telefônica. Quando pergunto aos meus alunos mais jovens quem já usou a “internet discada”, muitos deles sequer sabem o que isso significa. A conexão dial-up, termo técnico para a emblemática conexão discada, foi a tecnologia que alavancou a era da internet e da web. Desde seus primórdios, o objetivo da Internet sempre foi ser uma rede de comunicação global e descentralizada. Assim, surgiu a proposta de usar uma infraestrutura de comunicação já existente para transmitir os dados pela rede, nesse caso, a linha telefônica. Para fazer a conexão dial-up com um provedor de serviços de internet (ISP), é necessário um modem dial-up, dispositivo que transforma os dados digitais vindos de uma rede de computares em sinais analógicos, isto é, os dados são transmitidos da mesma maneira que a voz (por isso, quando a linha telefônica está ocupada com ligações comuns, é impossível fazer a conexão dial-up e vice-versa). Além de apresentar instabilidade, outra desvantagem dessa conexão é a sua velocidade de transmissão de dados, que raramente passa dos 56kbit/s (kilobytes por segundo), algo totalmente inviável para os dias de hoje. No Brasil, segundo pesquisas realizadas pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (CETIC), entre outubro de 2014 e março de 2015, apenas 2% dos domicílios que possuíam acesso à internet usavam a conexão dial-up, ou seja, 98% dos lares utilizavam conexão banda larga. No embalo da conexão dial-up, o telefone fixo é outra tecnologia que se tornará totalmente dispensável em face do crescimento de usuários de telefonia móvel. De acordo com dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), em março de 2016, o Brasil possuía 43 milhões de linhas fixas ativas. Esse número representa uma queda de mais de 1 milhão de linhas em relação ao ano passado, o que indica estar próximo o fim da linha telefônica.

Outra tecnologia que também está prestes a desparecer são as mídias ópticas. Houve um tempo em que, para distribuir conteúdo multimídia (músicas, shows, games, catálogos etc.), o meio mais barato era um disco óptico, isto é, CD, DVD e Blu-ray, porém, com a popularização das memórias flash (tecnologia de armazenamento presente nas câmeras, smartphones, entre outros) e com o aumento da oferta e da velocidade da conexão banda larga, os discos ópticos estão próximos da extinção. Serviços de streaming de áudio e vídeo pela internet, tais como Spotify, Youtube e Netflix, estão tornando-se cada dia mais populares, e diversos fabricantes de dispositivos de áudio e vídeo, seja doméstico ou automotivo, estão lançando cada vez mais produtos que não possuem leitores de mídias ópticas. O iminente fim das mídias ópticas já força, há vários anos, a criação de modelos de negócio e, principalmente, de distribuição de conteúdo.

E não para por aí. A televisão digital vai tornar totalmente obsoleta a analógica; as conexões sem fio evoluirão e, em muitos casos, poderão substituir as conexões via cabo; os veículos do futuro serão comandados por inteligência artificial; o turismo espacial será uma realidade e os próprios computadores sofrerão uma revolução nos próximos anos com o advento da computação quântica.

Imagine agora as tecnologias que deixaremos de usar e, principalmente, as que utilizaremos quando chegarmos ao centenário da computação moderna em 2040.  Certamente serão incríveis!

Prof. Esp. Jorge Luís Gregório

Docente da FATEC Jales

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