Prof. Dr. Evanivaldo C. Silva Júnior
Coordenador da coluna FATECNOLOGIA
evanivaldo.jr@fatec.sp.gov.br

 

Profª. Me. Selma Marques da Silva Fávaro
Revisora
selma.favaro@fatec.sp.gov.br

 

O uso de gordura trans industrial em alimentos tem sido uma preocupação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, que publicou regulamentos de rotulagem nutricional de alimentos para que os consumidores brasileiros tenham acesso a informações sobre a quantidade dessa substância nos alimentos, facilitando, assim, escolhas mais saudáveis. Esses regulamentos forneceram um incentivo para que as indústrias de alimentos iniciassem voluntariamente reformulações para diminuir a quantidade dela em seus produtos. Porém, o mercado nacional ainda possui muitos produtos industrializados com a adição desse tipo de gordura, sendo elevado seu consumo médio pela população devido a fatores como preço, que se mostra inferior ao de alimentos isentos dela. Seu consumo aumenta o risco de doenças cardiovasculares, com efeito nocivo sobre os níveis de colesterol, aumentando o colesterol “ruim” (LDL) e reduzindo o “bom” (HDL).

Essa substância é encontrada, principalmente, na gordura parcialmente hidrogenada, ingrediente utilizado na formulação de diversos tipos de alimentos industrializados, como margarinas, biscoitos, snacks, bolos, massas instantâneas, sorvetes, chocolates, pratos congelados e pipoca de micro-ondas. O processo de hidrogenação de óleos vegetais é realizado com o intuito de modificar a composição, estrutura e consistência de um óleo, sendo o hidrogênio adicionado diretamente aos pontos de instauração dos ácidos graxos (ligações duplas), permitindo transformar óleos líquidos em gorduras sólidas ou semissólidas.

A Resolução RDC n° 360, de 23 de dezembro de 2003, que estabelece os requisitos da rotulagem nutricional, determina que a quantidade de ácidos graxos trans igual ou inferior a 0,2 g por porção de alimento deve ser declarada como zero na tabela nutricional, embora isso não represente uma quantidade insignificante desse ácido. Assim, por exemplo, em uma porção de biscoito recheado de 30 g, que corresponde a três biscoitos, encontra-se na rotulagem nutricional a seguinte informação: zero de gordura trans, porém, se o consumidor ingerir 50 g, haverá gordura trans. Como existe flexibilidade no tamanho da porção, que deve ser declarada, dificulta-se a comparação nutricional de produtos pelo consumidor e permite que as indústrias alterem intencionalmente o tamanho das porções para declarar que o produto não contém ácidos graxos trans. Então, é importante o consumidor verificar, na lista de ingredientes constante no rótulo, a existência de gordura vegetal hidrogenada, pois ela indica que, ao consumir uma quantidade maior da declarada na porção, irá ingerir gordura trans.

Vários países já adotaram limites de quantidade de ácidos graxos trans nos alimentos com sucesso. Por exemplo, na Dinamarca, em 2003, foi proibida a venda de óleos e gorduras com conteúdo de ácidos graxos trans superior a 2g/ 100g e foram concedidos seis meses para a adequação. Outros países como Áustria, Hungria, Islândia, Noruega e Suíça também adotaram essa medida em épocas diferentes. Nos Estados Unidos, em 2015, os óleos parcialmente hidrogenados deixaram de ser considerados seguros para uso em alimentos e foram fornecidos três anos para a sua retirada da formulação dos produtos.

Enquanto tais medidas não forem adotadas no Brasil, nós consumidores devemos ficar atentos à informação nutricional e diminuirmos ou não consumirmos alimentos que contenham gordura trans, pois podemos, dessa forma, incentivar as indústrias brasileiras a fazerem mudanças em relação a esse ingrediente, que tantos malefícios provoca em longo prazo a nossa saúde.

Profª. Me. Denise Pinheiro Soncini da Costa

Docente da FATEC Jales

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