Prof. Dr. Evanivaldo C. Silva Júnior
Coordenador da coluna FATECNOLOGIA
evanivaldo.jr@fatec.sp.gov.br

 

Profª. Me. Selma Marques da Silva Fávaro
Revisora
selma.favaro@fatec.sp.gov.br

 

Você certamente já deve ter ouvido falar no termo “transgênico”, odiado por alguns, defendido por outros e ignorado pela maioria das pessoas, principalmente por falta de informação. Transgênicos são organismos animais ou vegetais que tiveram implantados em seu genoma, isto é, em sua bagagem genética partes de outro organismo, a fim de obter uma característica desejada. Basicamente, a técnica consiste em retirar alguns genes de um organismo doador e implantá-los em um receptor, que passará a apresentar algum aspecto desejado daquele, como resistência a pragas.

Apesar de essa técnica ser conhecida desde o início dos anos 70, o termo e outras informações correlatas tornaram-se mais popularizados quando os organismos transgênicos passaram a ser utilizados na alimentação de nós humanos ou de outros animais, que, por sua vez, também fazem parte de nossa dieta, como aves, caprinos, suínos e bovinos.

No rol dos produtos transgênicos, alguns merecem destaque, como a soja, o milho e o trigo, isso porque, de modo direto, integram a produção de diversos alimentos humanos, como pães, farinhas em geral, bolachas, margarina, óleos, além de muitos industrializados que utilizam esses farináceos e óleos em sua composição e de outros que desconhecemos. Também, de forma indireta, podemos citar as rações dos animais, feitas, dentre outros produtos, do milho transgênico.

A principal polêmica a respeito desses alimentos, claro, é se fazem mal à saúde humana. A resposta é controversa, para não dizer inconclusiva. Por um lado, algumas pesquisas preliminares apontam que alimentos feitos à base de transgênicos podem ter contribuído para o crescimento do número de casos de alergia em serem humanos nos Estados Unidos da América, ou, mesmo, para o aumento da resistência a antibióticos, o que nos tornaria mais vulneráveis a infecções e a outras doenças.

Outra preocupação despendida, principalmente por ambientalistas, está relacionada ao chamado “escape gênico”, que pode ser entendido como a propagação indevida e não controlada das novas características genéticas a organismos silvestres, a qual, hipoteticamente, poderia gerar um dano ambiental de proporções globais com eventuais extinções em massa, a “criação” de espécies destruidoras da flora e da fauna ou, ainda, um desiquilíbrio ecológico nos mais variados ecossistemas.

Por outro lado, as empresas detentoras dessas tecnologias e seus parceiros, na maioria dos casos setores produtivos do agronegócio, argumentam que tais organismos são mais resistentes a pragas, demandam menos defensivos agrícolas e, consequentemente, menos agrotóxicos, gerando uma maior produtividade, o que, hipoteticamente, significaria a redução da fome, principal “vantagem” à vida humana.

Alguns especialistas são categóricos em dizer que, sem eles, a produtividade agrícola não seria suficiente para abastecer o montante populacional hoje existente, de aproximadamente sete bilhões de pessoas. Assim, se a humanidade optasse por abolir os transgênicos utilizados na alimentação com o intuito de preservar mais vidas, produziria, como consequência, mais mortes por fome e desnutrição.

Essas polêmicas estão longe de ter um final consensual e, até lá, continuaremos a consumir alimentos oriundos dos transgênicos. Se você duvidar, tente formular uma dieta livre deles. Vai ser difícil!

Prof. Dr. Evanivaldo C. Silva Júnior
Docente da FATEC Jales
Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.