Prof. Dr. Evanivaldo C. Silva Júnior
Coordenador da coluna FATECNOLOGIA
evanivaldo.jr@fatec.sp.gov.br

 

Profª. Me. Selma Marques da Silva Fávaro
Revisora
selma.favaro@fatec.sp.gov.br

 

Certamente você já ouviu falar em “Pokémon”, o clássico anime (animação japonesa) criado em meados dos anos 1990 que conta a história de Ash Ketchum, um jovem que sonha em se tornar um mestre Pokémon. Os Pokémons (abreviação de pocket monsters – monstros de bolso) são animais fictícios que possuem características bem peculiares e poderes especiais. O Pokémon de Ash é o emblemático “Pikachu”, uma simpática criaturinha amarela que possui poderes elétricos. O tema central do anime é a captura e o treinamento dessas criaturas que podem evoluir mudando sua forma e, principalmente, aumentando seu tamanho e poder. No desenrolar da trama, há diversos torneios em que mestres Pokémons testam suas habilidades como treinadores colocando seus animais para lutar entre si. Para capturá-los, é necessário uma “pokébola”, um recipiente mágico em formato esférico que cabe na palma da mão e é capaz de abrigar um espécime desses simpáticos animaizinhos. O anime é uma febre entre crianças e adolescentes desde o final dos anos 1990 e gerou um universo de produtos licenciados muito lucrativos, como bonecos, cadernos, chaveiros e, obviamente, jogos eletrônicos (ou games). 

No início de julho de 2016, foi lançado oficialmente o tão aguardado game “Pokémon Go”. Disponível gratuitamente para tablets e smartphones nas plataformas Android e iOS (iPhone), o game traz diversas inovações e, em menos de um mês de lançamento, já causou muitas polêmicas, entre elas assaltos e acidentes de trânsito. Depois que baixa e instala o game gratuitamente, o jogador deve percorrer o mundo real em busca dos animaizinhos que estão espalhados por diversos lugares físicos, para o que se faz necessário o uso do GPS do dispositivo. Eles são visíveis, obviamente, apenas pela tela do dispositivo, isto é, há a sobreposição das imagens capturadas pela câmera dando a impressão de que realmente estão presentes no mundo real. O nome dessa tecnologia é “realidade aumentada”, que basicamente significa unir o mundo real e o mundo virtual. Para evoluir no game, o jogador precisa andar, e muito, pois, como dito anteriormente, os Pokémons estão espalhados por diversos lugares físicos, assim, quem quiser capturar novos monstrinhos, conquistar novos itens e participar de batalhas ou torneios precisa explorar sua cidade ou bairro.

Até o dia em que este texto foi escrito, o game estava disponível apenas nos EUA, Japão, Austrália, Alemanha e Reino Unido, sem previsão de lançamento no Brasil. Ele tem arrebatado milhões de pessoas e, segundo notícias, já tem gerado diversas polêmicas. Na Austrália, uma delegacia de polícia foi literalmente invadida por diversas pessoas, pois o game mostrava que o local seria um “pokéstop”, isto é, um lugar onde os jogadores podem adquirir itens para evoluir no game. O que os jogadores não sabiam é que não é necessário estar exatamente no local indicado, basta estar próximo, dessa forma, não seria necessário entrar na delegacia.

Nos EUA, três casos chamaram a atenção da mídia. Uma garota foi atropelada e ficou gravemente ferida ao atravessar distraidamente uma rua em busca de um Pokémon. Também houve um caso de assalto em que um jovem foi convidado por meio do game para capturar os bichinhos e acabou ficando sem dinheiro e sem o seu veículo. Em Washington, um jogador encontrou um “Koffing”, Pokémon cujo principal poder especial é a liberação de gases tóxicos, no Museu do Holocausto, local que homenageia as vítimas do nazismo, o que foi considerado uma total falta de respeito, pois, durante o regime nazista, muitas pessoas foram executadas em câmaras de gás. Após essas polêmicas, diversos estabelecimentos estudam a possibilidade de proibir a entrada de jogadores e, até mesmo, processar a Niantic e Nintendo, empresas criadoras do game, caso algum Pokémon seja encontrado em locais inconvenientes.

Pokémon Go já pode ser considerado um marco na história dos games, pois colocar uma franquia de sucesso em um game baseado em geolocalização e realidade aumentada foi uma sacada extremamente inteligente, porém polêmica e perigosa. Quando o game chegar ao Brasil, certamente será necessária uma campanha de conscientização sobre os riscos dessa nova diversão, pois, diante do nosso nível cultural, não é difícil imaginar notícias e acidentes absurdos.

 

Prof. Esp. Jorge Luís Gregório
Docente da FATEC Jales
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