Prof. Dr. Evanivaldo C. Silva Júnior
Coordenador da coluna FATECNOLOGIA
evanivaldo.jr@fatec.sp.gov.br

 

Profª. Me. Selma Marques da Silva Fávaro
Revisora
selma.favaro@fatec.sp.gov.br

 

Temos falado nesta coluna sobre a realidade aumentada, ferramenta pela qual objetos virtuais são inseridos em ambientes reais, como locais públicos, em uma proposta de interação do homem com esses elementos de forma simultânea,  tal como ocorre com o jogo que tem se tornado uma febre no Brasil, o Pokémon Go. Comentamos a respeito de consequências desse novo tipo de entretenimento, como pessoas que sofreram acidentes por “perderem” a noção do ambiente em que se inseriram. Já ocorreram quedas, atropelamentos e até “invasão inconsciente” de locais como igrejas, templos, departamentos jurídicos, entre outros lugares considerados inadequados para um simples jogo. Algumas questões éticas já surgiram sobre esses novos universos paralelos (ver artigo publicado no dia 14 de agosto), como as direcionadas ao “acesso” a locais utilizados pelos objetos virtuais.

A empresa que faz uso do mapeamento 3D dos sistemas de georreferenciamento tem utilizado ambientes considerados públicos, mas que, pelas regras do próprio jogo (caso do Pokémon Go), geram um certo domínio do jogador sobre eles (uma espécie de território sob controle do participante), como prêmio pela conquista de guerreiros, pontos ou algo similar. O fato é que algumas pessoas começam a se considerar “donas” de certas áreas de domínio público (áreas virtuais inseridas em ambientes reais), o que, em médio prazo, poderá gerar conflitos, no mínimo éticos, no que diz respeito à real posse ou, por que não dizer, “posse virtual” desses seres.

Imaginemos duas empresas que tenham sistemas de realidade aumentada, as quais possuem elementos inseridos em uma mesma cena. Para sermos mais precisos, pensemos em uma empresa do ramo de bebidas alcoólicas e outra farmacêutica. Ambas poderiam competir por um mesmo espaço virtual em um ambiente, como uma praça, o que poderia gerar conflitos, até mesmo ideológicos.

A proibição (ou tentativa de censura) de licença dos órgãos responsáveis para a utilização desses espaços pelas empresas detentoras dessas tecnologias, tal como aconteceu em um Fórum do Tribunal de Justiça na cidade de Salvador, BA, pode causar polêmicas, pois há meios legais para tal? Como uma empresa pode ser proibida de inserir um elemento virtual em um dado local se o elemento em questão, de fato, não existe?

Talvez o poder legislativo tenha que se adaptar a essas novas questões, tarefa que, a meu ver, não será simples, até porque ainda não sabemos exatamente o que vem por aí. A tecnologia tem dessas coisas. Ela cria, modifica, exige que nos adaptemos e nos força à evolução. Talvez estejamos evoluindo para o “Homo Virtual”.

 

Prof. Dr. Evanivaldo C. Silva Júnior
Docente da FATEC Jales
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