Prof. Dr. Evanivaldo C. Silva Júnior
Coordenador da coluna FATECNOLOGIA
evanivaldo.jr@fatec.sp.gov.br

 

Profª. Me. Selma Marques da Silva Fávaro
Revisora
selma.favaro@fatec.sp.gov.br

 

Em agosto de 2016, foi publicado pelo MIT (do inglês, Instituto de Tecnologia de Massachusetts) um relatório que aponta as dez tecnologias que devem transformar o mundo neste século. O texto desperta especial interesse não somente pela confiabilidade, uma vez que o MIT está entre as melhores instituições de pesquisa e ensino do mundo, mas também por apontar vários segmentos tecnológicos relevantes já presentes em nossa vida cotidiana.

A primeira tecnologia citada é a chamada Engenharia de Imunização. Apesar de ser apontada como uma área tecnológica de imenso potencial futuro, sua origem remonta ao século XVII com as descobertas das primeiras vacinas. Já em 1893, o cirurgião norte-americano William Coley sugeriu que o câncer poderia ser curado, ou pelo menos combatido, por meio da resposta à imunização obtida pela inoculação de uma bactéria posteriormente conhecida como bactéria de Coley.

Em 1908, o médico alemão Paul Ehrlich, vencedor do prêmio Nobel de medicina pelas suas teorias sobre o sistema imunológico, introduziu a ideia de “disparos mágicos”, drogas precursoras das atuais drogas direcionadas (targeted drugs), fármacos que agem especificamente sobre um determinado tipo de célula ou tecido.

Muitas contribuições científicas, prêmios Nobel e dinheiro investido ao longo do século XX presentearam-nos no século XXI com a chamada Engenharia de Imunização, tecnologia que busca recodificar partes do DNA de algumas células do sistema imunológico para produzir outras de um “pelotão de elite”, isto é, com altíssimo potencial destrutivo de células cancerígenas e tumorais, com igual eficiência na especificidade, isto é,  combatem exclusivamente o tecido cancerígeno.

Uma classe especial dessas células, chamados células T, tem chamado atenção da comunidade científica, pois, além de apresentarem as características já mencionadas, agem como robôs biológicos programáveis. Elas cassam as células tumorais, deixam marcas de sua localização para que as demais as encontrem como uma forma de comunicação, agrupam-se para o combate alterando as características do “campo de batalha” e multiplicam-se para se tornarem mais combativas.

Em relação aos seres humanos, as células T foram utilizadas pela primeira vez em uma menina de 10 anos chamada Layla Richards, caso que ganhou grande notoriedade no mundo científico. Ela tinha um tipo grave de leucemia e já havia passado por praticamente todas as terapias convencionais existentes sem êxito, o que a colocava em uma situação terminal. O último recurso foi aplicar a terapia com essa nova peça de bioengenharia, que a curou totalmente da doença.

Um agravante ainda existente dessa tecnologia é que tais células são geneticamente modificadas a partir de outras do próprio indivíduo, pois necessitam de seu DNA e, no caso de crianças, elas são raras. O desafio, então, é sintetizar essas células em laboratório, o que acrescenta um razoável grau de dificuldade ao processo, tarefa que, com o auxílio da Tecnologia da Informação, encontra-se em andamento.

As perspectivas são tão grandes quanto os desafios, mas a esperança de um processo definitivo de cura de doenças como o câncer, o lúpus e o HIV é cada vez mais real. Certamente é!

 

Prof. Dr. Evanivaldo C. Silva Júnior
Docente da FATEC Jales
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