Prof. Dr. Evanivaldo C. Silva Júnior
Coordenador da coluna FATECNOLOGIA
evanivaldo.jr@fatec.sp.gov.br

 

Profª. Me. Selma Marques da Silva Fávaro
Revisora
selma.favaro@fatec.sp.gov.br

 

Desde o início da história da computação moderna, que, segundo alguns historiadores, ocorre nos anos 1940 com a construção dos primeiros computadores totalmente eletrônicos, o teclado e o mouse têm sido os principais dispositivos de entrada, isto é, responsáveis por captar dados e comandos de um usuário a fim de enviá-los ao computador. Ambos os dispositivos exerceram e ainda exercem um papel fundamental na interação homem-máquina, entretanto, após o surgimento de novas tecnologias de interface mais intuitivas e ergonômicas, eles parecem (e realmente são) tecnologias do passado, verdadeiros “fósseis vivos”.

Devido ao surgimento de diversos sistemas computacionais interativos ao longo das últimas décadas e, principalmente, às questões relacionadas à acessibilidade e à ergonomia, surgiu nos anos 1960 diversos conceitos que formaram uma disciplina chamada Interação Humano-Computador (IHC). Em um artigo intitulado “Curricula for Human-Computer Interaction”, publicado em 1992 pelo cientista da computação Thomas T. Hewett e seus colegas, IHC é definida como “uma disciplina interessada no projeto, implementação e avaliação de sistemas computacionais interativos para uso humano, bem como nos fenômenos relacionados a esse uso”. Estudar IHC envolve investigar o que acontece durante o processo de interação entre homem e máquina, isto é, compreender o comportamento e as limitações dos usuários para projetar interfaces intuitivas capazes de tornar sistemas interativos acessíveis e também ergonômicos. Ser acessível significa ser usável por qualquer tipo de usuário, inclusive por aqueles que possuem limitações físicas, como problemas de visão, de audição e de movimento. Ser ergonômico significa visar ao bem-estar e à saúde do usuário.

Teclado e mouse, apesar de tradicionais, populares e de baixo custo, na maioria das situações pecam em diversos aspectos, principalmente no que diz respeito à acessibilidade e à ergonomia. Apesar de existirem acessórios e modelos desses dispositivos que os tornam mais acessíveis e ergonômicos, eles foram concebidos em sua essência visando apenas à funcionalidade, assim, mesmo para pessoas que não possuem nenhum tipo de limitação, em muitos cenários eles se tornam inadequados e improdutivos. Dessa forma, temos que recorrer a IHC para nos libertar desses antiquados aparatos tecnológicos.

Penso que, se atualmente podemos contar com tecnologias de IHC baseadas em touchscreen (tela sensível ao toque), comandos por voz, detecção de gestos e detecção de movimentos do corpo, por que ainda insistimos no teclado e no mouse? Alguns especialistas argumentam que essa insistência se dá devido à relação entre custo e benefício, ou seja, as outras tecnologias ainda são muito caras, não são totalmente eficientes em diversos cenários e exigem grandes investimentos em pesquisa e desenvolvimento em IHC para projetar interfaces muito específicas.

Já temos tecnologias que fazem o computador compreender a linguagem humana (voz e texto); já existem tecnologias de sensores que interpretam gestos e movimentos do corpo (Microsoft Kinect) e também vislumbramos certa maturidade nas interfaces touchscreen. Assim, espero que em breve possamos usar nossos computadores e demais dispositivos da mesma maneira que o icônico personagem de histórias em quadrinhos Tony Stark (Homem de Ferro) utiliza seu assistente pessoal, o supercomputador Jarvis: apenas com toques na tela, comando de voz e gestos. Mais usabilidade, mais intuição e mais produtividade. Teclado e mouse nunca mais!

 

Prof. Esp. Jorge Luís Gregório
Docente da FATEC Jales
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