Prof. Dr. Evanivaldo C. Silva Júnior
Coordenador da coluna FATECNOLOGIA
evanivaldo.jr@fatec.sp.gov.br

 

Profª. Me. Selma Marques da Silva Fávaro
Revisora
selma.favaro@fatec.sp.gov.br

 

Há aproximadamente um mês, publicamos nesta coluna o artigo “As tecnologias que devem mudar o mundo: Engenharia de Imunização”, referente ao relatório divulgado pelo MIT (do inglês, Instituto de Tecnologia de Massachusetts), que aponta as dez tecnologias que devem transformar o mundo neste século.

A biotecnologia aparece novamente no relatório, mais especificamente a engenharia genética direcionada à manipulação de plantas e de outros organismos vivos. A edição de genes dos vegetais não é algo exatamente novo (ver artigo “A era dos Trans”, publicado nesta coluna em 10 de julho, também disponível no site da Fatec Jales), porém a nova técnica que vem sendo utilizada traz um fator determinante nesse processo: a precisão na manipulação genética. A técnica conhecida como CRISPR (do inglês, Clustered Regularly Interspaced Short Palindromic Repeats, ou seja, Repetições Palindrômicas Curtas Agrupadas e Regularmente Interespaçadas) permite aos cientistas um nível de detalhamento e precisão na manipulação genômica muito superior às técnicas até então existentes.

Na prática, é como se as sequências de DNA (ácido desoxirribonucleico) fossem editadas como um “texto genético”, o que permite a extração de partes “imperfeitas” dos genes e a sua substituição por segmentos “corretos” para se alcançar um determinado propósito, como tornar a planta resistente a pragas ou fungos, aumentando, assim, a produtividade da cultura ou, ainda, tornando-a mais virtuosa no sentido nutricional. Até o momento, vários estudos na China, Reino Unido, Estados Unidos e Coréia do Sul têm focado o uso da CRISPR para a manipulação genética da soja, do milho, do trigo, do arroz, da batata, entre outras culturas importantes do agronegócio mundial. Devido à precisão proporcionada pela técnica, a ocorrência de efeitos colaterais indesejados para a saúde humana (se é que eles existem de fato) ou para o meio ambiente é minimizada, eventualmente evitada.

Outras possibilidades dessa técnica permitem a redução, para não dizer eliminação, de doenças humanas como a malária e a dengue, entre outras infecções. Ainda nessa linha de atuação, outras enfermidades como o diabetes, a distrofia, a obesidade e até mesmo o câncer e o HIV são alvos da utilização da CRISPR como ferramenta de combate “teleguiado”.

Como toda tecnologia de ponta e, também, devido aos fatores bioéticos envolvidos no desenvolvimento de organismos geneticamente modificados, ainda é necessário certa cautela. A própria comunidade científica e, principalmente, os órgãos reguladores ainda estão em fase de análise e de experimentações para que tais plantas sejam liberadas ao consumo humano.

No fim das contas, tudo é uma questão de escrita. Segundo Galileu Galilei, “a matemática é o alfabeto com o qual Deus escreveu o universo”. É bem provável que a genética seja o alfabeto com que Deus escreveu a vida.

Prof. Dr. Evanivaldo C. Silva Júnior
Docente da FATEC Jales
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