Prof. Dr. Evanivaldo C. Silva Júnior
Coordenador da coluna FATECNOLOGIA
evanivaldo.jr@fatec.sp.gov.br

 

Profª. Me. Selma Marques da Silva Fávaro
Revisora
selma.favaro@fatec.sp.gov.br

 

Se você viveu os anos de 1980 e gostava de filmes de ficção científica, talvez se lembre de uma cena do filme Star Trek na qual os cientistas da Interprise retornam no tempo para o planeta terra a fim de obter informações com cetáceos (baleias). Na cena, um engenheiro do futuro precisa utilizar um computador da época atual e, para isso, aproxima-se da máquina e fala com ela, ordena ações de comando, mas, claro, não obtém retorno e “paga um mico” ao ser observado por quase todos na sala com olhares de espanto, surpresos com a atitude ridícula do cientista naquele momento. Essa cena nos dias de hoje já não seria apropriada ao filme se o objetivo fosse sugerir o futuro ou mesmo causar um impacto, pois tal tecnologia já está presente em alguns centros de desenvolvimento tecnológico do mundo.

Você certamente já experimentou executar tarefas em seu celular por comando de voz, algumas, creio, bem sucedidas, outras nem tanto, mas, além do avanço da tecnologia no reconhecimento de voz para a execução de comandos no aparelho, como realizar uma chamada, o que os cientistas buscam atualmente é uma interface em tempo real de reconhecimento, tradução (quando necessária), execução de tarefas, conversação com outras pessoas e com o próprio sistema operacional que controla os sistemas,  tudo isso com máxima eficiência e praticidade.

Segundo o relatório publicado pelo MIT sobre as dez tecnologias que devem mudar o mundo nos próximos anos, publicado em setembro deste ano, elas têm auxiliado quase 700 milhões de chineses a se comunicar com povos de outras nacionalidades e culturas, aproximando-os pelo menos no quesito comunicação. Essas pessoas habitam uma região frequentemente visitada por turistas de várias partes do mundo em Beijing, o que torna a ferramenta, desenvolvida pela empresa Baidu, muito útil. A China e outros países asiáticos são apontados como cenários ideais para o desenvolvimento e aperfeiçoamento dessa tecnologia, uma vez que se mostra difícil “desenhar” ou mesmo “teclar” seus alfabetos nos computadores e celulares convencionais, pela complexidade natural dos seus ideogramas.

Essas tecnologias, apesar de existentes desde a década de 1990, têm obtido grande avanço devido aos algoritmos de interpretação de voz desenvolvidos, baseados em sistemas de inteligência artificial, o que proporciona heurísticas de interpretação antes inexistentes. Basicamente, é como se o algoritmo, de fato, entendesse o que o locutor deseja falar interpretando contextos e não somente “traduzindo” palavras e frases.

Com o avanço dessa tecnologia, espera-se em um futuro de curto prazo, como na próxima década, que nós humanos possamos interagir por conversação não somente com os smartphones e computadores, mas também com robôs, televisores, máquinas de lavar roupa, fornos de micro-ondas, veículos, sistemas de segurança e tudo mais que esteja conectado à chamada internet das coisas, e com um detalhe: comunicação inteligente, ou seja, não simplesmente a execução de comandos por voz, mas interação cognitiva com esses artefatos.

Talvez você se lembre deste texto daqui a alguns anos, quando ouvir seu filho ou neto dar um bom dia à cafeteira e solicitar-lhe “o de sempre”, o que pode ser um café expresso simples, com a quantidade de açúcar desejada, pois a máquina já sabe do que ele gosta. Talvez ela até sugira um cappuccino!

 

Prof. Dr. Evanivaldo C. Silva Júnior
Docente da FATEC Jales
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