Recentemente, o Censo Escolar 2025 revelou uma queda histórica de mais de 1 milhão de matrículas na educação básica no período entre 2024 e 2025, passando de 47,08 milhões (2024) para 46,01 milhões (2025), ou seja, uma queda de 2,3%. De acordo com o Censo, a redução é provocada pela diminuição demográfica da população em idade escolar, principalmente entre jovens de até 17 anos.
O ensino médio apresentou um índice mais significativo na queda, com 5,4% e, em nível estadual, o estado de São Paulo toma a dianteira com 37,2% do montante nacional, o que representa uma redução de 17% das matrículas.
A explicação desse fenômeno demográfico é razoavelmente simples. As famílias estão se tornando cada vez menores, com casais optando por um ou, no máximo, dois filhos- alguns, inclusive, sem filhos, o que explica a redução do público escolar.
Essa relação de causa e efeito pode até ser considerada um processo relativamente natural, mas o problema está nas consequências em médio e longo prazo para um país que se considera economicamente emergente e em processo de envelhecimento.
Faltando jovens nas escolas de ensino básico, certamente devem faltar jovens e adultos nas universidades. Em consequência, haverá a carência de profissionais capazes de alavancar o crescimento econômico com mão de obra capacitada (ou não) para suprir as demandas dos diversos setores da economia. Por fim, gera-se uma recessão profissional generalizada.
Resolver esse problema certamente será um dos grandes desafios que a sociedade brasileira deverá enfrentar nos próximos anos. Nesse sentido, considerando que a busca por uma reversão na pirâmide demográfica é algo totalmente inviável, a solução deverá passar pelo uso cada vez mais intenso da tecnologia.
Isso implica o aumento de sistemas de automação, o uso cada vez mais abrangente da inteligência artificial (IA) visando à resolução de problemas com diferentes níveis de complexidade, o uso igualmente progressivo da robótica moderna (robôs androides humanoides capazes de desempenhar atividades humanas) e até a importação de recursos humanos, mas, independentemente do arranjo determinado, podemos esperar que os custos operacionais devam aumentar.
Além disso, a estrutura educacional hoje existente se tornará em parte desnecessária, implicando uma redução necessária do número de escolas, docentes, funcionários administrativos, entre outros que fazem parte dessa cadeia.
Certamente, grandes desafios nos esperam em breve.
Prof. Dr. Evanivaldo Castro Silva Junior
Docente da Fatec Jales
